O fato é que agora eu tenho conexão - ou não, depende da conjunção astral e do biorrtimo das ondas 3G da Claro. E isso, certamente, não é inspirador.
Acho que vou deixar as fotos falarem por mim.
É só um diário...

Minha querida amiga Enoi, daquelas que nos fazem colocar o dedo na consciência porque não cultivamos nossas amizades como elas merecem, companheira de aventuras culinárias (aprendi com ela uma entrada de alho poró com azeite extra virgem e pimenta rosa, deliciosa), de cálices de espumantes e palavras cruzadas, minha amiga Enoí está morando na Terrinha, mais precisamente em Aveiro, onde está fazendo doutorado.
Pois a Enoí, que eu tenho tentado transformar em correspondente de vinhos BBB, inaugurou o blog "longe de casa?" onde ela fala de viagens, não apenas das físicas, como a que a levou a Portugal, mas também das viagens sentimentais. E foi através das lembranças da Enoí que eu viajei de volta à minha infância, numa viagem em busca de uma barriga quentinha.
Estou em Garibaldi, também na minha viagem. A cozinha é menor do que a atual, mas a mim ela parecia muito grande. Minha avó prepara a sopa. Uma entre muitos filhos numa família pobre de imigrantes italianos, ela sabia fazer a mágica da sopa de pedra. Um belo brodo, poucos e simples ingredientes, muito carinho, e surgia a sopa da minha infância: il sfregolotti. Fecho os olhos e vejo as mãos marcadas, enrugadas e lindas da minha avó sendo esfregadas, uma contra a outra, e delas caindo os fiapos da massa dentro do caldo borbulhante.
Eu tentei, juro que tentei, mas minha sopa não chegou nem perto daquela da minha lembrança. Não, tenho certeza que não é nostalgia: a sopa da minha avó era diferente e sim, muito melhor. Mas o objetivo principal eu consegui: aqueci minha pancinha e minha alma.
E, claro, uma viagem à minha infância nunca está completa sem vinho. A garrafa que abri me foi presenteada por nosso vizinho: Don Fausto, um cabernet sauvignon feito por um pequeno vinicultor no interior de Garibaldi. Mesmo que essa informação provoque olhares críticos, e mesmo admitindo que essa garrafa não está na minha lista, o Don Fausto, na sua simplicidade e franqueza, completou minha viagem.
Melhor, só seu eu tivesse acertado a sopa. Vou atrás da receita.
Foto original aqui.
ada conexão. E sim, já estou com a Brasil Telecom por um fio: com Oi ou sem Oi a bagunça continua a mesma. Quando na sexta-feira passada recebi a ligação e a funcionária se identificou como sendo da Oi, interrompi na hora: Oba, estás me ligando para combinar a instalação, né?Academy of Food and Wine UK Sommelier of the Year Virtual Competition 2009
A revista Decanter, em parceria com a Academy of Food and Wine, lançou uma competição virtual para escolher o melhor Sommelier Amador do mundo. Para que você possa testar seus conhecimentos, traduzimos as 25 perguntas. E se você quiser participar da competição, visite http://www.decanter.com/press/sommelier-comp.php, preencha o questionário e os dados pessoais até o dia 30 de maio. A melhor pontuação garante ao felizardo uma caixa de Champagne Piper-Heidsieck.
1. Nomeie três Distritos (não wards/as menores entidades geográficas) da Região Litorânea da África do Sul (3 pontos)
2. Nomeie cinco sub AVAs (Áreas Americanas de Viticultura) do Napa Valley, Califórnia. (5 pontos)
3. Em que país encontram-se as seguintes regiões viníferas: Donauland, Neusiedlersee e Traisental? (2 pontos)
4. Qual o vinho cujo crédito da criação é de Max Schubert? (2 pontos)
5. Informe o nome da Indicação Geográfica das seguintes vinícolas australianas: (10 pontos)
a) Grant Burge
b) Jim Barry
c) Bass Philipp
d) Shaw + Smith
e) Majella
f) Jasper Hill
g) Moss Wood
h) Stonier
i) Mitolo
j) Tyrell’s
6. Em qual DOCG encontra-se a povoação de “La Morra”? (2 pontos)
7. Ca’Marcanda está localizada numa propriedade em Bolgheri; quem é o famoso produtor de vinhos italianos por trás dela? (2 pontos)
8. Qual é a uva da DOCG Montefalco Sagrantino? Qual a sua região de origem? (4 pontos – identifique a uva e a região)
9. Nomeie os cinco châteaux de Saint-Julien em Bordeaux classificados como “2nd Growth”? 5 pontos
10. Em quais Apellations os seguintes produtores ou propriedades estão situados? (10 pontos)
a) Marcel Deiss
b) Château des Jacques
c) Vincent Dauvissat
d) Larmandier-Bernier
e) Domaine de La Janasse
f) Le Pin
g) Château du Cèdre
h) Mas Amiel
i) Clos de Tart
j) Domaine Huet
11. Em qual DO ou DOC estão situadas as seguintes propriedades? (5 pontos)
a) Gonzalez-Byass
b) Finca Allende
c) Clos Erasmus
d) Alion
e) Artadi
12. Com qual uva a vinícola alemã Meyer-Nakel ganhou um Prêmio Internacional na competição Decanter World Wine Awards de 2008 e em que região ela é produzida? (4 pontos – nomeie a uva e a região)
13. Qual propriedade da Nova Zelândia produz os famosos Pinot Noir Block 3 e Block 5 e em qual região eles são produzidos? (4 pontos – informe produtor e região)
14. O que são: Geneva Double Curtain, Te Kauwhata Two Tier e VSP? (3 pontos)
15. O que é TCA? (2 pontos)
16. Em qual país “Muscat de Samos” é produzido? (2 pontos)
17. O que significa “LBV”? (2 pontos)
18. Informe os países das seguintes propriedades ou produtores: (10 pontos)
a) Antiyal
b) Clos de Los Siete
c) Inniskillin
d) Geravassiliou
e) Keo
f) Boyar
g) Cono Sur
h) Luis Pato
i) Georg Brauer
j) Nikolaihof
19. Qual é o melhor solo do Jerez (região Sherry)? (2 pontos)
20. Quem possui um hotel/restaurante com 2 estrelas no Michelin e uma propriedade vinícola na California?
21. Que tipo de vinho é um “Rainwater”?
22. Nomeie a região de cada um dos seguintes Single Malt Whiskys: (2 pontos)
a) Macallan
b) Ardbeg
c) Springbank
d) Glenmorangie
e) Auchentoshan
23. Que tipo de bebida são os seguintes produtos e qual a origem? (10 pontos – informe tipo e país para cada um)
a) Grey Goose
b) Tanqueray
c) Linie
d) Appleton
e) Jose Cuervo
24. O que o valor de pH mede no vinho? (1 ponto)
25. Quais são os ingredientes da Margarita? (3 pontos)
Sem googlar nem consultar meus adorados The Oxford Companion to Wine nem o Atlas do Vinho, chegaria no máximo a 12 pontos...
O que quer que seja, o fato é que estou chateada. A novela promete se arrastar. Ou eu jogo a toalha e contrato um serviço 3G (pagando para receber velocidade de 1Mega, mas assim que atingir um volume de download de 1GB – o que não é grande coisa para quem ouve rádio, receber 128Kbps até a próxima fatura) ou me sujeito a esperar pela Brasil Telecom liberar uma maledetta porta!
E antes que eu me chateie mais ainda, segue uma postagem que até já ficou fora de estação... O outono chegou de sopetão e hoje a noite promete ser adequada a uma sopa de capeleti, nada a ver com a foto aí de baixo!
Essa postagem e essa foto homenageiam um nome. “O que há, pois, num nome?”
Nada de especial, mas também muito. Um mesmo nome que por acaso acontece com frequencia na minha vida, um mesmo nome para duas pessoas: o Ricardo que me deu o Diário do Vinho (que me força a deixar a preguiça de lado e anotar para aprender mais) e que já faz parte da nossa família e o Ricardo que eu não conheço, que me visita seguido (pelo menos quando eu escrevo!) e que sempre deixa palavras carinhosas nos comentários.
Um jantarzinho básico, ao final de um dia quente – mesmo Garibaldi tem seus dias quentes.
No cálice, um espumante que eu ainda não conhecia. O Quinta Don Bonifacio Brut 2007, produzido pela vinícola de mesmo nome de Caxias do Sul, é um espumante gostoso, alegre e refrescante. E BBB: custa ao redor de R$20. Ricardo, anotei tudo o que consegui (o que não é muito, considerando minha capacidade olfativa...)
No prato, o taglierini da “Delícias Caseiras Justina”, a padaria que fecha aos domingos e feriados. Ricardo, por enquanto foi assim, ó: cebola picada e refogada, pedaços de tomatinho delicioso que eu encontrei na fruteira (não é tomate cereja), lascas de parmesão e folhinhas de manjericão da horta, tudo regado com um fio de azeite e pimenta do reino moída na hora. Nada de especial, mas era mesmo prum jantarzinho básico de meio de semana.
escrito sábado, 28/02
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Conta a lenda que quando a Mac Donald’s conseguiu finalmente abrir sua primeira loja na Italia, os nativos logo decidiram pela sua versão de como chamar fast food em italiano: mangia e fuggi. Não é a toa que vem também dos italianos uma definição de como melhor viver: o movimento (que os responsáveis dizem não ser um) chamado Cittá Slow. Cidade preguiçosa.
Algo como Garibaldi. Hoje no final da tarde passei na padaria que fica aqui perto de casa – e que é uma das melhores da cidade. Detalhe: quando a regra diz que dono de padaria não sabe o que é domingo ou feriado, essa padaria não abre aos domingos e muito menos nos feriados. De que adianta plantar se nunca colhemos? Eles plantaram um pão delicioso e uma massa caseira que suplica por um ragu de ossobuco daqueles que levam pelo menos duas horas para cozinhar. Nada mais justo que agora colham os frutos da confiança de uma clientela fiel que não se incomoda de planejar as compras.
Enfim, passei na padaria e comprei meio quilo de taglierini (ainda não decidi como preparar) e outro tanto da massa que eles usam para fazer o pão e as pizzas. Poderia ter comprado a pizza pronta, mas seguindo a filosofia de que uma boa comida merece todo o tempo que leva para prepará-la, decidi que assaria minha própria pizza. No fogão a lenha da minha avó.
E já que teria todo o trabalho de acender o fogo e esperar o forno aquecer, aproveitei os figos colhidos hoje (é necessário ser pontual na colheita, se não os perco para as abelhas e os passarinhos) e seguindo instruções do meu primo Lucas, com quem divido o amor por Garibaldi e por nossa casa em particular, preparei uma calda e nela os coloquei a cozinhar preguiçosamente.
Sei, estou torturando vocês, mas agüentem firme, isso é só o começo. Enquanto preparo a pizza - uma base de tomates pelados (adoro essa expressão), muzzarela picada, cebola fatiada bem fininha, lascas de aliche, tudo salpicado com pimenta do reino moída na hora e tomilho fresco da horta - o perfume dos figos vai lentamente tomando conta da cozinha, trazendo memórias das passas que minha mãe preparava com tanto carinho, por dias a fio secando ao sol. E enquanto espero que a pizza preguiçosamente asse, vou escrevendo esse post no Word, já que conexão ainda é um mero projeto. E enquanto escrevo, deixo rodar o DVD do show "One more car, one more rider" do Eric Clapton. Quem não viu, não tem a menor idéia do que está perdendo. O músico mais jovem deve ter lá pelos 45 anos, eles não ficam devendo nada em energia e esbanjam qualidade.
Para completar o quadro, que nenhuma refeição italiana é completa sem o bicchiere di vino, me delicio com um refrescante Moscatel da Marco Luigi. Contar como essa garrafa chegou às minhas mãos vai levar mais tempo do que disponho (que agora o perfume dos figos foi substituído pelo cheirinho da pizza quase pronta), mas faço questão de dar o crédito a Cesar. Quer dizer, ao meu querido amigo João Filipe. É presente dele, um presente perfeito para um final de dia quente. Eu que não sou muito de bebidas adocicadas, me rendo à leveza desse moscatel (8%), ao seu frescor e acidez no ponto exato. E não estou nem aí se alguém disser que moscatel não combina com pizza (que aliás está mais para foccacia do que pizza, preciso trazer minhas formas de Porto Alegre). Para mim, está perfeito. Grazzie, João!
E agora me toca a tarefa de passar o presente adiante, indicando sete pessoas. Vou quebrar essa regra (eu adoro quebrar regras!) e não uma, mas duas vezes. Uma, que sete é conta de mentiroso, e a minha lista tem nove indicações. E duas, que elas vão além do vinho - afinal, esse é um blog que também fala de panelas e livros.Na cozinha, eu tenho uma única indicação:
Nos livros, minha indicação para quem me inspira a ler sempre mais:
E fechando a lista com chave de ouro:
Esta é a garrafa sobre a qual eu fiquei devendo comentários. A Angheben é uma pequena vinícola, de origem familiar como quase todas do Vale dos Vinhedos, cujos vinhedos estão situados em Encruzilhada do Sul, uma das novas zonas de viticultura no Rio Grande do Sul.
Eu tenho um carinho especial pela Bodega del Fin del Mundo. Provei a primeira garrafa há quase um ano: Ventus tinto, um gostoso corte de merlot, malbec e cabernet sauvignon. Um vinho que me carregou por uma viagem virtual à Patagonia e a seus ventos eternos. 
Há muito tempo que eu namorava esse livro. Fuçando na Amazon USA e UK para comparar preços, achei o que seriam dois livros diferentes. Na dúvida, mandei um email para o endereço de contato no site da Jancis. Surpresa - recebi resposta quase que imediatamente e escrita pela própria! Ela recomendava que eu esperasse até novembro, quando a nova edição seria lançada. Eu consegui esperar até dezembro...
Lindo livro, texto em linguagem acessível acompanhado de fotos lindas. Acabamento de primeira. Para quem lê em inglês, imperdível. Vale cada centavo.
The Complete Idiot's Guide to Starting and Running a Winery
Esse é o livro do impulso. Li um post no Fermentation e decidi na hora que compraria. Não que eu tenha planos de montar uma vinícola, quem me dera... Mas eu tenho o objetivo sério de aprender tanto quanto possível sobre vinhos - e entender como é o funcionamento detalhado de uma vinícola se enquadra perfeitamente.
Outro namoro longo. Acompanhei o preço nas livrarias e pela internet, comparei preço do original e da edição brasileira. Entre subidas e descidas passaram-se alguns meses. Finalmente respirei fundo e saquei o cartão. E conclui que é uma das melhores aquisições que fiz.
O livro é lindo. É grande, pesado, uma capa super caprichada; as páginas são grossas, cheias de fotos lindas. Leitura de qualidade garantida por muito tempo.
Eu gosto de música, e gosto de músicas que me lembram coisas boas, cujas letras conseguem resumir o que sinto. Às vezes até músicas ditas bregas, que atire a primeira pedra quem nunca curtiu uma dor de cotovelo nem teve "a minha música". Como essa, que resume o dia de sol aí de cima e que diz um pouco de como estou agora, que o pior já passou. E vai dedicada ao João Filipe, que sempre consegue escolher "a minha música" no momento em que preciso.
Tá, tá, eu sei, o figurino é de atirar pedra, mas lembrem-se: that 70´s show!
Playing for Change é um projeto comunitário de um grupo de artistas que usam a música como ferramenta de união ao redor do mundo, fazendo coisas legais como construir e manter uma escola de música numa região carente na África do Sul.
Eles gravaram esse vídeo com com músicos e artistas de rua de diversos lugares do mundo. A música eu dedico a vocês. Obrigada por estarem comigo quando eu precisei. Beijos a todos.
Foto original aqui.
Sugestão de leitura
Desde então venho pensando e escrevendo sobre isso mentalmente, mas nunca consegui sair do rascunho. E agora parece que todos resolveram falar sobre pontuação. Bem feito mais uma vez, quem manda ficar só chocando as idéias?
Bobagem minha, afinal o que importa é a discussão. E esse assunto serve para longas discussões, longas conversas, longas postagens, como bem sabe o Bernardo quando escreveu Imagine there's no scores...
Até hoje não entendi qual o critério para dar 85 pontos para um vinho e não 86. Ou qual a diferença entre os dois. E aposto que muitos dos vinhos que tomo - e gosto, e repito, e que não provocam efeitos colaterais além dos desejados - devem receber nota 70 do pessoal que segue o oráculo. Prefiro falar das sensações que eles me despertam, se me fizeram sorrir, se me provocaram curiosidade de saber mais sobre uma determinada uva, se me deixaram triste por descobrir que aquela garrafa escolhida a dedo abrigava um vinho que não acrescentou nada ao pouco que já sei.
Não faz sentido, para mim, usar algo tão matemático quanto uma escala de notas em algo tão subjetivo quanto o vinho. Ele pode ter uma nota 95, o que pelo oráculo significa estar perto da perfeição (e sobre isso eu falo mais adiante) e mesmo assim provocar reações completamente distintas entre, por exemplo, o João Filipe e o Eduardo, para citar duas das pessoas cuja opinião eu levaria em conta ao investir preciosos reais numa garrafa especial.
O Bernardo vai mais adiante: ele compara vinhos a obras de arte (o que me lembra a tradução que fiz do post do Tom/Fermentation, onde ele compara vinhos de qualidade à obra do Van Morrison). "Por que é que até hoje ninguém deu nota para pintura, hein?" , ele pergunta. E eu repito: por que?
Mas quem sou eu, uma iniciante na arte de apreciar vinhos e que além de tudo tem deficiência olfativa, quem sou eu para fazer essas perguntas? Por isso sinto um enorme consolo quando leio coisas como a entrevista que a Jancis Robinson deu à Veja, onde ela afirma categoricamente que "a verdade é que não existe certo e errado na apreciação de um vinho. Todos têm preferências individuais e sensibilidades diferentes." E acrescenta: "A análise de vinho é pessoal. Por isso, acho que reduzir um vinho a uma nota é tolo, ilusório."
E isso de dar uma nota 100 tem outro lado, que poucos mencionam. Na estabelecida loucura de pontuar vinhos, como diz o Patricio Tapia, autor do guia Descorchados, parece que esquecemos o que esse número quer dizer. 100 não tem falhas. 100 resiste a críticas e informa que não há vida depois disso. 100 é perfeição e "todos sabemos que a vida, a realidade, nunca é assim."
Para encerrar, que o assunto pode se estender por parágrafos e parágrafos, sugiro a leitura de outra postagem do Bernardo, Uma proposta modesta: abandonar a escala de 100 pontos, que vem a ser a tradução de um artigo de David Lillie. Boa leitura!
De todas as obras dele, talvez a que eu mais goste seja "As intermitências da Morte". "Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", ele escreve. E então a Grande Dama Ossuda decide parar de trabalhar - ou fazer greve, se preferirem. É quando Saramago nos mostra uma Morte com sentimentos. Delicioso.Vinho: Amarante Vinho Verde Colheita 2006. O nome do vinho vem a ser, também, o nome de uma sub-região dentro da Denominação de Origem Controlada Vinho Verde. Não encontrei no site da vinícola, Caves Acacio, o rótulo da minha garrafa. De novo a dúvida: é política das vinícolas exportarem seus vinhos com rótulos diferentes dependendo do mercado? Enfim, o vinho. Com uma cor bem clara, ele tem a característica frisante dos vinhos verdes. Leve e fresco, com 9% de álcool, R$14 a garrafa, era tudo o que eu queria num final de tarde como ontem, quente e abafado.
Ele no cálice, Madredeus no meu radinho Blip e Saramago no meu colo. Eu realmente não preciso de muito para ser feliz.


Conclusão: a pessoa decidiu fazer harmonizações virtuais.
Traduzindo: devido às explicações aí de cima, e como não abro mão do meu cálice, vou usar meu arquivo de receitas cavocadas em tantas leituras e combiná-las virtualmente com meus vinhos. Vamos lá!
Vinho: Dal Pizzol Ancellotta 2004
Há uns bons anos atrás, provei um deliciosos vinho assemblage desse vinícola. Era um vinho de produção especial, produzido em pequena quantidade, com garrafa importada, linda, e conteúdo reduzido a 500ml. Não lembro se depois desse bebi algum outro Dal Pizzol. Estava na hora, portanto, de corrigir essa falha.
Comprei essa garrafa na Banca 38 do Mercado Público. Com donos novos desde janeiro, ela foi totalmente reformada e agora, além de vinhos, vende também iguarias nacionais e importadas.
O Dal Pizzol Ancellota 2004 está pronto para beber. Tem uma linda cor rubi que é, copiando uma definição do Luiz, escura como a noite. É um vinho perfumado, denso, daqueles que quando a garrafa termina dá um dó sem tamanho. Deveria ter sido decantado pois já tinha um pequeno depósito (decanter, eu ainda terei um!). Os taninos são macios, o álcool é 12,5% e o preço R$25. O que significa que, considerando a situação 3 aí de cima, não deve voltar tão cedo para nossos cálices. Infelizmente.
O prato: crepes crocantes com maçã, queijo brie e presunto parma.
A autora dessa belezura de dar água na boca é a simpática Jaden, cujo blog Steamy Kitchen: Modern Asia acompanho há algum tempo. O subtítulo diz muito sobre as deliciosas receitas que ela apresenta: rápido, fresco e simples, o suficiente para o jantar de hoje à noite.
Sobre a harmonização: fiquei em dúvida com a maçã, mas como ela será ligeiramente assada, acredito que a acidez não deverá atrapalhar. O resto combina perfeitamente com a indicação do enólogo.